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Em busca de brotos na região das bananeiras

Quando a maioria das pessoas pensa em cannabis no Caribe, a Jamaica talvez seja o primeiro país que vem à mente. Mas, ao que parece, há outro país na região que vem se tornando rapidamente líder de mercado: São Vicente e as Granadinas.

Frequentemente chamada simplesmente de São Vicente ou SVG, essa nação insular tornou-se uma das maiores fornecedoras de cannabis do Caribe. Depois que os legisladores legalizaram a maconha medicinal em 2018, o setor emergente rapidamente se tornou uma fonte legítima de prosperidade econômica e política. 

A Humboldt Seed Company (HSC) vem colaborando estreitamente com produtores e pesquisadores de cannabis do Caribe há vários anos. Descubra, neste artigo, como a genética da HSC está apoiando os cultivadores em São Vicente e como o país se tornou o líder de mercado que é hoje.

Das bananas aos botões

Por gerações, as bananas foram a espinha dorsal da economia de São Vicente, sustentando os pequenos agricultores em todas as áreas rurais do país. No entanto, uma combinação de mudanças nas políticas comerciais, concorrência crescente por parte de grandes produtores da América Latina, doenças nas plantações e tempestades devastadoras fez com que o setor sofresse uma redução drástica, transformando tanto o panorama agrícola quanto os meios de subsistência que dependiam dele.

maconha plantada em cinza vulcânica pura

Maconha plantada em cinza vulcânica pura.

Enquanto isso, a cannabis é cultivada comercialmente em SVG há décadas, mas as variedades autóctones existem há muito mais tempo. A parte norte de São Vicente, às margens do vulcão La Soufrière, é o epicentro do cultivo. A região é conhecida por seu solo incrivelmente raro, chamado andossol mólico, com uma estrutura porosa única que proporciona excelente drenagem e forte capacidade de retenção de água, criando um equilíbrio ideal para o desenvolvimento robusto das raízes. 

É o lugar perfeito para a cannabis crescer bem.

À medida que o setor bananeiro entrava em declínio ao longo da década de 1990 e no início dos anos 2000, muitos agricultores de São Vicente passaram a cultivar cannabis como uma cultura comercial mais viável, atraídos por seu valor mais alto, pela forte demanda regional e pela adequação ao terreno acidentado da ilha. O que começou na clandestinidade evoluiu para uma fonte significativa de renda para muitas comunidades rurais, ajudando a preencher a lacuna econômica deixada pelo colapso do comércio de banana.

Em 2018, o governo de SVG descriminalizou a posse de até duas onças de cannabis. Além disso, aprovou a Lei da Indústria da Cannabis Medicinal, com a intenção de posicionar o país como um importante centro de cannabis no Caribe.

O ilustre Saboto Ceaser, Ministro da Agricultura, afirmou na época que o setor poderia trazer imensas oportunidades econômicas. 

“As condições de cultivo em SVG são ideais para a produção de cannabis medicinal da mais alta qualidade disponível no mercado global”, observou ele.

O governo também prorrogou a anistia aos agricultores tradicionais que haviam se envolvido no mercado informal, garantindo que eles tivessem um caminho para obter o licenciamento.

A cannabis local em São Vicente é chamada de “Pão de Cordeiro” por muitas pessoas mais velhas.

“Há um amplo reconhecimento e adesão aos benefícios econômicos que se espera que esse setor, rigidamente controlado e regulamentado, traga no que diz respeito ao emprego direto, à criação de setores de apoio e ao investimento estrangeiro”, acrescentou Caesar.

A cannabis como ajuda humanitária

Embora o entusiasmo com o potencial da cannabis legalizada fosse generalizado em SVG, o mercado sofreu uma grande perturbação apenas dois anos após a aprovação da reforma. 

O vulcão La Soufrière sofreu uma erupção prolongada que começou em dezembro de 2020, lançando fogo e cinzas no ar por quase quatro meses. Muitas pessoas foram forçadas a evacuar e, embora o episódio não tenha causado vítimas fatais, a cadeia de abastecimento de cannabis foi dizimada. Várias variedades genéticas tradicionais foram perdidas, causando um impacto devastador na comunidade.

Em 2021, uma doação de 10.000 sementes feminizadas de cannabis foi feita ao governo de SVG. A doação foi liderada por Pure Jamaican, uma empresa que contribui para o avanço do desenvolvimento e das exportações de canabinoides em toda a região. As variedades genéticas foram desenvolvidas em parceria com a Humboldt Seed Company, Ed Rosenthale Dr. Machel Emanuel, um pesquisador especializado em cannabis da Universidade das Índias Ocidentais, na Jamaica.

As sementes eram predominantemente Caribbean Queen, uma variedade autóctone originária de Trinidad. Ela evoluiu ainda mais após o cruzamento dessa variedade com a Stoopid Fruits e Humboldt Dream. O Dr. Emanuel realizou testes de campo e produção na Jamaica para garantir que as sementes fossem viáveis no ambiente tropical.

Rainha do Caribe

O Caribbean Queen em toda a sua glória.

O Dr. Jerrol Thompson, diretor executivo da Autoridade de Cannabis Medicinal de SVG, afirmou na época que a doação poderia ter um impacto positivo no mercado nos próximos anos.

“Essa doação não só ajuda a restabelecer os meios de subsistência e a capacidade produtiva desses agricultores, como também melhorará a qualidade das sementes como material de plantio especialmente desenvolvido para um ambiente tropical.”

Trazendo o Pheno Hunt para SVG

A equipe da HSC atua em São Vicente há vários anos, mas sua visita mais recente trouxe a grande campanha global “Pheno Hunt” da empresa à ilha, em busca do “ouro de São Vicente”.

Ben Lind, cofundador e diretor científico da HSC, percorreu a ilha em busca de variedades autoctones perdidas. Embora a grande maioria tivesse sido exterminada pelo vulcão, acreditava-se que alguns agricultores tradicionais nas profundezas das montanhas ainda possuíssem essas variedades genéticas ancestrais. A Busca por uma Sativa Autóctone Perdida do Caribe foi lançado como um documentário em duas partes, apresentando a comunidade canábica de São Vicente e Gran Adão de uma forma nunca antes vista.

À medida que o mercado global de cannabis ganha força, São Vicente se prepara para se tornar líder em cultivo, exportação e pesquisa. E, embora as pessoas possam não considerar essa pequena ilha como uma potência no setor da cannabis, sua história, genética e solo fértil podem torná-la uma concorrente de peso no cenário mundial.